Pós-verdade e pós-ética

Antes de mais nada, vamos alinhar o significado do termo “pós-verdade”, pois, muitas vezes, ela é traduzida, simplesmente, como “mentira”.
Mas, a “pós-verdade” é uma versão da verdade, de acordo com uma determinada crença ou sob influência de uma emoção.
Por exemplo, na posse do presidente estadunidense Donald Trump, seu secretário de imprensa informou que foi o maior público que já acompanhou uma posse.
Porém, a imprensa demonstrou que era notável a maior quantidade de pessoas na posse de Obama, em 2009, de acordo com fotos comparativas.
Sob o meu ponto de vista, é uma mentira!
Mas esse fato foi classificado como pós-verdade, por haver justificativas dadas pelo governo estadunidense, tais como: o acesso a alguns locais foi impedido, por causa de restrições de segurança mais rígidas. Obs: acredite se quiser!
No final das contas, vale o que mais interessa à opinião pública.
Nesse caso, os eleitores responsáveis pela eleição do Trump.

E qual é consequência para a ética, nesses tempos de pós-verdade?
Em junho de 2010, participei do Programa de Gestão Avançada Amana-Key, do Oscar Motomura.
Nesse curso, o próprio Motomura apresentou uma definição de ética que me marcou: “Ética é tudo o que você faz e é capaz de contar a seus filhos”.
Ou seja, é aquilo que, por ser correto, não te causa vergonha ao falar para uma pessoa pela qual você é o responsável pela formação. Alguém que tem você como um exemplo, através das suas ações.
Ao trazer esse conceito para os dias atuais (leia-se Lava Jato e suas ramificações, porém, sem qualquer intenção de discutir política aqui), vemos árvores genealógicas inteiras agindo de forma antiética.
Seja nas empresas privadas, públicas ou na política.
Fiz um exercício mental de imaginar esse tipo de passagem de conhecimento de pai (ou mãe) para seus filhos.
Porém, nem com toda minha capacidade de empatia, fui capaz de finalizar o exercício sem sentir repulsa, daquela que começa pelo estômago.
Como eu sou fruto de uma geração em que a palavra empenhada valia, entro em conflito com contratos assinados nos tempos atuais que, mesmo assim, em caso de divergência, dependem de interpretação.

Nem sempre vale o que está escrito.

Como lidar, então, com pós-verdade e pós-ética?
No meu caso, além dos meus próprios valores, busco referências éticas que se mantém ao longo do tempo, ou seja, que sejam consistentes.
Além da minha própria família, tenho outras referências que acompanho há vários anos.
Por exemplo: o filósofo Mário Sergio Cortella e o cartunista e podcaster Luciano Pires (Café Brasil).

E qual é a importância disso?
Confirmar (ou não) seus conceitos éticos e servir de ponto de partida para argumentação com seus amigos, colegas de trabalho, de colégio/faculdade, etc.
Continuo acreditando que, através da comunicação (preferencialmente, presencial) somos capazes de testar nossos conceitos e questionar as versões da verdade e da ética!
Dessa forma, você é capaz de formar sua própria opinião sobre o que é apresentado como verdade ou ético!

Que tal testar essa abordagem?

Até a próxima!

Denys Lessa

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